A carta de Plínio “o jovem” a Trajano | Primeira Igreja Presbiteriana de Porto Velho

A carta de Plínio “o jovem” a Trajano

Publicado em: 02/02/2013 21:26:27

A carta de Plínio “o jovem” ao imperador romano Trajano tornou alvo de citação dos exegetas, teológos e historiadores por causa da sua menção a duas mulheres que foram presas por causa da fé cristã. Segundo alguns estudiosos esta carta seria uma evidência documental de que existiram diaconisas na Igreja Cristã no período do século II. A data mais aceita para a redação desta carta foi de 113 d.C.

Gaius Plinius Caecilius Secundus, conhecido como Plínio “o jovem”, foi governador da Bitínia, não era cristão, mas adquiriu fama pelos julgamentos imparciais de funcionários e militares, e outros acusados de delitos políticos. Nesta carta ele explica como examinava o testemunho dos cristãos nos interrogatórios. Ao relatar a Trajano sobre duas mulheres, escreve que “julguei ser mais importante descobrir o que havia de verdade nessas declarações através da tortura a duas moças, chamadas diaconisas, mas nada achei senão superstição baixa e extravagante.”[1]

A tradução adotada por Henry Bettenson não é exata com o original latino que declara: “ex duabus ancillis quae ministae dicebantur” (de duas escravas a quem chamam de servas, tradução minha). Ele adota uma tradução equivocada para a expressão latina duabus ancillis (duas escravas) preferindo verter por “duas moças”, o que não se justifica, pois, o termo não se refere à idade das mulheres, mas ao seu status social.

Mesmo insinuando a possibilidade de que estas duas mulheres fossem diaconisas, Bettenson esclarece que “neste caso, aqui temos a última menção às ‘diaconisas’ até o quarto século, momento em que elas reconquistaram certa importância no Oriente”.[2] O que podemos concluir é que estas mulheres exerciam alguma atividade especial na igreja, mas, não temos nenhuma informação específica na carta de Plínio de que função era. Entretanto, não há como afirmar que elas eram oficiais da Igreja, ou que tenham exercido liderança ordenada.

É necessário lembrar que Plínio menciona estas duas mulheres, a partir de informações que lhe foram passadas, pois conforme ele mesmo declara neste relatório “nunca presenciei nenhum julgamento de cristãos”.[3] O seu testemunho é de alguém que não conhecia a fé e organização cristã de fonte autorizada, e o seu relato é apenas circunstancial, e não uma descrição de um exame pessoal de fontes fidedignas.

Notas:
[1] Henry Bettenson, Documentos da Igreja Cristã (São Paulo, ASTE, 2001), p. 30.
[2] Henry Bettenson, op.cit., p. 30, vide nota de roda-pé 9.
[3] Henry Bettenson, op.cit., p. 28.